Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Crónica fodida

Ora bem.

Há mais de duas décadas que Filipa trata de seu pipi com todo o brio e primor.

Há todo um carinho e atenção envolvidos e o tempo que perde em tal curiosa e nobre tarefa não lhe pesa.

Posto isto.

Filipa marcou a revisão dos 30 no médico dos pipis.

Filipa deu de caras com uma talhante, gorda como o caralho, que substituía médico amigo e à qual só faltava o cutelo e a luva de malha de aço.

Deu logo um friozinho na barriga de Filipa, mas Filipa ignorou.

Dirigiu-se à marquesa, deitou-se, pousou, qual pena de cisne, o rabo "o mais à frente possível", pendurou as perninhas nos ferros e deixou descair os joelhitos trémulos, qual passo de ballet, para fora.

Filipa ouviu um intrigante
- Vou-lhe pôr aqui uma sonda, e...

AAAAAAAAAAAAIIIIIIII!!!!!
FOOOOODA-SSSSSE!!!!

Assim.
Tal e qual.

A médica, assassina profissional de pipis lindos, queda e expectante, com uma sonda ridícula, revestida com um preservativo ridículo na mão, aguardava, num desorientado silêncio, por novos e estimulantes desenvolvimentos.

Filipa, qual mola de colchão em fim de vida, salta da marquesa medieval, arfando, e enquanto apanha seus tarecos, rosna-lhe, entre uma bobagem e outra,

AQUI, não põe mais nada!

Episódios destes, fazem com que as fantasias sexuais de Filipa, com o sexo feminino, estejam, quase completamente, fora de questão.

Puta.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

The Molotov cocktail

1 gaja
1 cartão multibanco, com um saldo simpático
saldos

Juntar esta merda toda, enfiá-la na semana do mês em que essa gaja está feia, gorda, inchada, insuportável, dorida e cansada e pum!
Dano colateral:
uma Filipa mais pobre 250 euros.

Sábado, 11 de Julho de 2009

A minha avó Henriqueta, era a maior. Media 1,50cm e, no entanto, era mais alta que qualquer um de nós.
Vivia entre galinhas, estrume espalhado e casa-de-banho improvisada, sempre com um sorriso calmo e de bochechas saudavelmente rosadas.
A minha avó Henriqueta, levava-me o pequeno-almoço à cama. Ainda sinto o cheiro a café que saía da malga quentinha e da torrada dourada saída da lareira que servia de fogão. A minha Avó Henriqueta fazia aletria como ninguém. Tinha sempre rebuçados de açúcar e biscoito para me dar. Comprava-os na estação, enquanto o comboio não chegava.
A minha Avó Henriqueta tinha sempre um abraço pronto para mim. Abraçava-a sempre de olhos fechados. Sentia o cheiro do sabão azul e branco, com o qual ela lavava o cabelo, e sentia-me segura e feliz.
Adormecia com a minha Avó a fazer-me festinhas no cabelo. Já era uma miúda crescida, maior que ela, até, mas sentava-me ao seu colo e contava-me histórias de encantar, inventadas ali, naquela cadeira, mas que não esqueço.
A minha Avó Henriqueta, vendia tremoços. Quando chegava, com o alguidar na anca e o jarro de água, equilibrado na trança que trazia sempre no cimo da cabeça, fazia-me uma festa no queixo e sorria. Trazia-me sempre um caracol para eu brincar.
Dormíamos juntas num dos colchões de palha que havia lá em casa. No chão, cheio de batatas greladas, um tapete que comprou, de propósito, para mim. Cor-de-rosa, claro, que eu era uma princesa.
A minha Avó teve 10 filhos. Uma vida de trabalho duro no campo. Ensinou-me que, com tão pouco, podemos ser muito felizes.
Nunca a vi bem vestida, nem bem arranjada. A roupa que vestia era dada por quem já não a queria. Os sapatos também. As mãos tinham calos duros e os dedos, unhas pretas. Ainda era de noite quando acordava e só se deitava depois de estar tudo a dormir.
Faz anos que morreu.
Faz 8 anos.
A saudade é a mesma.
A dor também.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Este meu assistente...

Ao telefone com uma mula de uma loja qualquer:
-(...) Hã???


Digo-lhe, com a minha ternurenta e infinita paciência, porém escandalizada com tal educação:

-Não diga hã, M., diga desculpe? ou como?, por exemplo, agora, hã? fica feio, tem que convir...

Diz o M., atrofiadinho que só ele:
-Hã???...


Merecia ou não, um aumento, assim de repente, só por isto e nada mais?

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Esta que vos escreve

Ia indo com o caralhinho. E tudo por causa do tabaco. O tabaco mata e ontem ia dando cabo desta que tanto amo.
Vai então, a boa da Filipa, a conduzir que nem uma doida estrada fora, trânsito a dar com um pau, o relógio a acelerar e o telemóvel que não me dava descanso aos nervos.
Maneiras que resolvi relaxar com um cigarrinho zen. Fumei, fumei, fumei, nos entretantos, desliguei do mundo e tive uns instantes de puro prazer. Poucos. Que acabam mal abro a janela do veículo na sua totalidade e me preparo para enviar a beata directamente para o caralho, mas via janela. Sucede que estava um vento filha da puta e a beata, depois de ter dado três reviengas e um encarpado, decide desaparecer. Eu bem olhei pelo retrovisor e vi um rasto iluminado, e pensei que a puta estaria, naquela altura, no meio da estrada onde ficaria até à eternidade, a queimar devagarinho ou a ser esmigalhada pelos pneuzorros das outras viaturas. Enquanto penso nisto, sinto uma picadinha por debaixo da omoplata esquerda que me incomodou um nadinha. Desencostei-me do banco, sacudi o tronco firme e delineado e caguei. Uns segundos depois, novamente aquela picada incomodativa, desta vez, acompanhada de um calorzinho bom...
Desencostei-me outra vez e deixei de sentir aquelas merdas estranhas. Meio metro depois, já as sentia de novo, mas desta vez, no final das costas, no flanco direito. Aqui fez-se luz!!!
A puta da beata!!! Meti as mãos entre o banco e as costas e dei com a puta (isto, sempre a 150, está claro), mas quem é que dizia que eu agarrava nela?
O caralho é que agarrava!! Ainda me queimava os dedinhos!
Enquanto procurava solução rápida (a 145km/h), ia conduzindo, entre uma harmoniosa tentativa de manter o carro longe do traço contínuo ( e dos outros carros, já agora) e um perfeito ziguezaguear entre as 3 faixas de rodagem, lá consegui agarrar a beata, que neste rame-rame, me ia fodendo as costinhas todas, e vitoriosa, salto um AHÁ!! ao mesmo tempo que a deixo cair...para dentro do carro.
Fodida como o caralho, paro o carro na berma (que sa foda se aparecesse a polícia! Esta merda é mais que uma emergência, caralho!) 4 piscas a bombar, saio do carro e, a medo, abro a pestana e olho para os meus estofos, coitadinhos, cheios de buracos da merda da beata!! Confesso que até chorei, caralho!!
Não dei com a puta do caralho, tenho uma senhora queimadura nas costas, os estofos fodidos e uma dor de cabeça da puta que apanhei na merda da saída, que por sorte não acabou pior.


Deixei de fumar. Até ver, enquanto conduzo.

Domingo, 5 de Julho de 2009

BURRA BURRA BURRA

Quantas vezes é preciso bater com a cabeça na parede ao mesmo tempo que dividimos em sílabas BUR-RA, BUR-RA, BUR-RA, até nos convencermos que o futuro é o que fazemos no presente e não obra do acaso?

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

E pronto!

Agora já sou uma supervisora. Ou melhor uma Supervisora. E tenho um assistente. O M.
Foi a minha única exigência (por trabalhar, desde os 15 anos, com mulheres é que estou na lastima que estou.) Fui eu que o entrevistei e escolhi.
Como não gosto cá de juntar trabalho com prazer, confesso que o nulo sex appeal do rapazinho, pesou, sobremaneira, na minha decisão.
Cá estou eu, então, a escrever esta belíssima missiva, do meu escritório, com uma bela chávena de café ao lado, sandálias no chão e pezinhos cruzados e prostrados na cadeira das visitas e com uma impressionante vista sobre Lisboa como pano de fundo.
Não fosse este calor do caralho e diria que este era um dos dias mais perfeitos que já vivi.
Mais perfeito que isto, só se o M. souber fazer massagens nos pés.
Ora deixa lá ir perguntar..

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Eu sei que nem sempre fui grande exemplo

Para ninguém. Sou preguiçosa, refilona, nariz empinado, às vezes minto um bocadinho, sou excessivamente fútil em certas coisas, vou, muitas vezes, até ao limite (normalmente, ao limite do plafond do cartão de crédito), tenho a mania que sou insubstituível, inesquecível e inebriante, sou arrogante e antipática.
Ora, o facto de reconhecer os meus defeitos, não deveria, por si só, minimizá-los?
Qual minimizá-los, qual caralho!?!
Se a lógica fosse esta, quando hoje fui às finanças (como se não fosse castigo suficiente), não me tinha calhado o lugar (o único vazio) ao lado de uma velha que cheirava pior dos pés do que a fábrica de tripas de Sacavém e o rio Trancão em plena maré vazia, juntos, de chinelas encardidas, unhacas tipo garras e pintadas de vermelho, a coçar as plantas dos pés uma na outra, com uns joanetes medonhos e nos entremeios dos dedos, um fiozinho de merda preta que me indispôs imediata e bruscamente.
Já para não falar no ligeiro buço que lhe protegia a beiçada dos UVA e UVB.
Não tenho paciência para ser caridosa.
Mas também, não preciso. Pago e bem, todos os meus pecados!

Isto está mau.

(Aviso desde já que este vai ser o post mais cagão de sempre!)

Isto está muito mau.
Mas muito mau mesmo, quando, para saber qual o dia da semana em que me encontro, tenho de o perguntar ao meu assistente.

Eu avisei.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Hoje, estou assim.

Minimalista.

Em praticamente tudo. Até na compreensão, quando me tentam fazer entender o porquê de se estar com alguém (entenda-se compromisso) de quem não se gosta.

Epá.

É como comer peixe cozido por obrigação, quando posso comer um bife do lombo quando me apetecer.

É como ter de vestir farda, quando posso passarinhar pelo escritório fora tanto de calça de ganga como de micro-saia.
É como cagar na consciência e no respeito pelos outros.
Minimalista, assim.

Sem obrigações, sem fretes, sem favores.